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Arquivo mensal: março 2008

Definição de Bossa Nova

Definição cunhada pelo compositor Carlos Lyra a respeito dele próprio (e por conseguinte, dos demais representantes da Bossa Nova, que viviam na Zona Sul do Rio de Janeiro) durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura:
“Eu era socialmente burguês, politicamente proletário e esteticamente aristocrata.”
E essas três classes não geravam um conflito interno? – perguntou o apresentador Carlos Eduardo Lins da Silva.
“Não”, respondeu Lyra. “Digamos que elas tinham uma convivência pacífica”.

Vale lembrar que Lyra (e a maioria de seus pares de então) era estudante universitário de classe média alta da Zona Sul carioca, simpatizante ou participante de movimentos culturais de esquerda, como o Teatro de Arena, e apreciador das belas artes.

Melhor definição, impossível.

Renato Delmanto
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Publicado por em 31/03/2008 em Uncategorized

 

O crítico de ‘Ratatouille’

Quem assistiu ao desenho animado ‘Ratatouille’, da Disney/Pixar, entende perfeitamente por que os adultos o adoram.

Como jornalista, destaco a sutileza e a genialidade com que o sisudo crítico descreve a sensação proustiana que vivenciou no restaurante do desenho, o Gusteau’s.

Não quero aqui contar o fim do filme àqueles que não o assistiram, mas revelo o seguinte: o chefe ao qual ele se refere no texto é o rato Remy, o protagonista da obra.

Quem já foi editor de Gastronomia (como eu) não pode se furtar de comentar e admirar a sensibilidade de quem escreveu o texto abaixo, a crítica do Gusteau’s. Divirtam-se:

***

“De certo modo, o trabalho de um crítico é fácil. Arriscamos pouco, gozamos de uma posição privilegiada sobre quem entrega o seu trabalho e a si mesmo ao nosso julgamento. Vingamos nas críticas negativas, que são divertidas de escrever e de ler.

Mas a verdade amarga que temos de enfrentar é que, no quadro geral, as refeições medianas são talvez mais importantes do que o que admitimos nas nossas críticas.

Mas há momentos em que um crítico realmente arrisca na descoberta e defesa das coisas novas.

O mundo costuma ser duro com novos talentos e novas criações. O que é novo precisa de apoiantes.

Ontem à noite, passei por uma experiência nova, uma refeição extraordinária vinda duma fonte única e inesperada. Dizer que tanto a refeição como o seu criador alteraram a minha concepção sobre a arte da culinária é pouco. Eles abalaram todas as minhas crenças.

No passado, não escondi o meu desdém pelo famoso lema do Chef Gusteau: “Qualquer um pode cozinhar.” Mas agora compreendo perfeitamente o que ele quis dizer.

Nem todos podem ser grandes artistas, mas um grande artista pode surgir de qualquer lado. É difícil imaginar origens mais humildes do que as do gênio que agora cozinha no Gusteau’s, que é, na minha opinião de crítico, nada menos do que o melhor Chefe da França.

Regressarei ao Gusteau’s em breve, desejoso de mais. Foi uma grande noite. A mais feliz da minha vida. Mas a única coisa previsível da vida é o imprevisível.”

***

O final do filme não contarei, claro, mas recomendo que seja visto por quem gosta de cozinhar, por quem gosta de comer e por quem gosta de frequentar restaurantes. Ah, e também por quem é (ou foi) jornalista da área de gastronomia. Para esses, o filme é mandatório.

Renato Delmanto